Aditivos e serviços extras

Demolição não prevista em obra pública: como cobrar

Quando a demolição não está no projeto ou na planilha, o custo só se sustenta com prova de condição, quantitativo e formalização, não com execução silenciosa.

Demolição não prevista em obra pública: como documentar e cobrar
Guia técnico CONFENGE para empresas que executam contratos públicos.
Resposta executiva

Demolição fora da planilha ou do projeto contratado não se “absorve” automaticamente no preço global. Antes de executar ou de aceitar silêncio da fiscalização, documente condição encontrada (vistoria, fotos, volumes), confronte com projeto/planilha, registre nexo causal e peça formalização de medição/aditivo com quantitativo e preço. Executar primeiro e discutir depois é o caminho mais comum para a construtora carregar custo sem cobertura.

Este guia examina vistoria, condição oculta, registros fotográficos, quantitativos, composição de preço e nexo causal. O foco é reduzir um risco concreto: demolições extras absorvidas pela construtora. Em contratos de obras públicas, a qualidade da decisão depende menos de frases categóricas e mais da capacidade de ligar obrigação, fato, prova e consequência.

Diagnóstico técnico

O que realmente decide este caso

O desfecho depende dos fatos do contrato, do edital e das provas disponíveis neste caso.

01

Vistoria e condição encontrada

Registre o estado de fato antes de demolir: fotos datadas, localização e volumes. Sem isso, a demolição vira narrativa tardia.

02

Projeto e planilha contratados

Confronte o que estava previsto no projeto/planilha com o que foi encontrado. A divergência de escopo é o núcleo do direito de cobrar.

03

Quantitativos e composição de preço

Meça volume demolido com memória conferível e forme preço com referência ou cotação coerente com data-base e desconto aplicável.

04

Formalização e nexo causal

Peça medição/aditivo com ordem, prova e valor. Executar sem formalizar é o caminho clássico de absorver custo sem cobertura.

Contrato, projeto, planilha, cronograma e registros só ganham força quando organizados numa cadeia verificável de causa e consequência.

Base de prova

Documentos que precisam estar sobre a mesa

Não é necessário reunir um arquivo perfeito antes da primeira análise. Mas estes documentos reduzem a chance de uma conclusão intuitiva e ajudam a localizar rapidamente o ponto de ruptura.

  • edital, contrato e matriz de riscos
  • projeto básico, executivo e revisões emitidas
  • planilha contratual e composições de preços
  • ordens de serviço, atas e determinações da fiscalização
  • registros de campo anteriores ao início do serviço extra
  • memórias de quantitativos e levantamentos
  • cotações, referências oficiais e composição do item novo
  • cronograma e impacto no caminho crítico
  • levantamento fotográfico anterior, ordem de execução e memória de volume demolido

Sequência prática

Plano de ação para não perder posição

  1. 01
    Descrever a alteração e sua origem

    Delimite o problema (valor, período, serviço afetado, decisão necessária e responsável) antes de discutir demolição não prevista obra pública. Objeto vago gera resposta vaga.

  2. 02
    Comparar escopo contratado e escopo necessário

    Organize os fatos na ordem em que ocorreram. A cronologia reduz contradições e mostra quando a empresa comunicou, mitigou e preservou sua posição.

  3. 03
    Identificar alocação de risco e responsabilidade

    Não analise um documento isoladamente. Compare obrigação, projeto, orçamento, ordem recebida, execução real e resposta da fiscalização.

  4. 04
    Medir quantitativos e formar preços

    O impacto precisa ser verificável por terceiro: quantidade, prazo, produtividade, custo, caixa ou exposição a sanção.

  5. 05
    Avaliar efeitos em prazo, produtividade e custos indiretos

    Formule um pedido que permita decisão administrativa. Indique fundamento técnico, anexos, valor ou providência e prazo de resposta.

  6. 06
    Solicitar formalização antes da continuidade sempre que possível

    Escolha a próxima ação pelo custo de esperar, pela força da prova e pelo risco de executar, paralisar, aceitar ou escalar o conflito.

Fragilidades comuns

Erros que tornam a tese difícil de defender

  • Executar primeiro e discutir preço e formalização apenas depois.
  • Chamar toda mudança de “serviço extra” sem enquadrar causa, escopo e responsabilidade.
  • Calcular limites sobre base incorreta ou compensar acréscimos e supressões indevidamente.
  • Formar item novo sem coerência com data-base, desconto e referências aplicáveis.
  • Confiar em ordem verbal sem comunicação contemporânea e reserva de direitos.
  • Tratar o tema como assunto exclusivamente jurídico, desconectado dos registros de engenharia, cronologia e cálculo.

Em geral, a empresa possui informação dispersa, mas não uma narrativa técnica que permita ao fiscal, gestor, jurídico ou órgão de controle verificar o que aconteceu e decidir.

Próximo passoEnviar documentos para análise

Enquadramos o risco, a urgência e os documentos necessários. Sem promessa de deferimento ou recuperação.

Decisão empresarial

Quando vale buscar uma análise externa

Vale antecipar apoio quando a decisão pode afetar recebimento, prazo, margem, sanção, continuidade da obra ou renúncia de direito. A análise externa é especialmente útil quando a equipe está absorvida pela execução e precisa transformar centenas de páginas em cenários, cálculos e próximos passos.

Analisar este cenário

Perguntas frequentes

Dúvidas objetivas

Demolição fora da planilha é paga como?

Como serviço não previsto ou alteração de escopo, se houver nexo com o projeto ou determinação da Administração. Sem registro, vira custo absorvido.

Quais provas reunir?

Projeto, ordem ou interferência que gerou a demolição, medição do volume, fotos e comunicação tempestiva pedindo aditivo ou autorização.

Qual o risco de demolir e medir depois?

Perder o nexo causal e o preço de referência. Avise antes, meça com fiscal e amarre ao termo aditivo quando couber.

Referências oficiais

Fontes para aprofundamento

As referências abaixo ajudam a localizar a base normativa e metodológica. A aplicação ao caso concreto depende do edital, contrato, matriz de riscos, regime de execução e documentação produzida.

Conteúdo educacional. Não substitui análise individual dos documentos nem manifestação jurídica quando necessária.

Engº Tiago Sasaki
Autor e responsável técnico pelo conteúdo

Engº Tiago Sasaki

Engenheiro Civil formado pela EESC-USP, com experiência na iniciativa privada e na Administração Pública, atuando em fiscalização, gestão de contratos, orçamentação e decisões técnicas em obras públicas.

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